Nova edição da Fotobiografia de Miguel Torga, de Clara Rocha.

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JOSÉ CORREIA TAVARES - HOMENAGEM
ALMADA | 27 de Outubro de 2018 | Fórum Municipal Romeu Correia

Por ocasião da entrega dos Prémios Literários Cidade de Almada e Maria Rosa Colaço 2018, no dia 27 de Outubro pelas 17h30, na Sala Pablo Neruda, no Fórum Municipal Romeu Correia decorreu uma homenagem ao Vice-Presidente da Associação Portuguesa de Escritores, Dr. José Correia Tavares. O Presidente da Associação Portuguesa de Escritores, Dr. José Manuel Mendes e a filha do escritor, Dr.ª Natércia Tavares marcaram presença com breve depoimento, havendo lugar, à leitura de quadras e poemas.
VIAGEM

Pode ser que esta viagem
tenha a utilidade das coisas
inúteis.

Pode acontecer que tu me leias
e chegues à conclusão que o tempo que perdeste
foi tempo que perdeste.

Mas se me leres
e sentires o que eu quis que tu sentisses,
se conseguir da tua parte
um pouco de ti mesmo
e não a parte de ti
que mostras a toda a gente,

palavra,
fico contente.

DÁDIVA - 1961
O primeiro poema do primeiro livro




Olha,
vai dizer a quem tu queiras
que andar à chuva não molha
quando há sol nas algibeiras!

PORCELAMA - 1972
Eu, o mais fraco dos fortes,
Detestando qualquer meta
Já morrera vinte mortes
Se não fora ser poeta.

Podendo ser o primeiro,
Fundeei nesta enseada,
Meu tempo não é dinheiro,
Vivo de amar e mais nada.

Tenho da palavra o dom
E, de ninguém dependente,
Quando falo neste tom,
Incomodo muita gente.

Minha memória dá brado,
Lembro coisas com prazer,
Quando me virem calado
Devo estar para morrer.

Minha mãe nem a primária
Vida de muitos espinhos
Dizia, nonagenária,
Que velhos são os caminhos.

Longe de rei e rainha
Nasci sem bens de raiz
Mas, com a corda que tinha,
Fui à corte quando quis.

Constando aí meus rigores
Tudo ciência de ouvido
Muitos e grandes autores
Emendei a seu pedido.
Esta noite muda a hora
Já devia ter mudado
Para ver se vem aurora
Mais depressa ao povoado.

Um dia, neste castelo
Só Deus havendo em redor,
Vi o poente mais belo
Nos olhos do meu amor.

Manifesto desacordo,
Que no barco dão azar;
Sem elas connosco a bordo,
O melhor é nem zarpar.

Aqui ou aonde chego
Eu vivo enfim, hora a hora
Livre do desassossego
Como nunca fui outrora.

Longe deste lamaçal
Muito por cima das casas,
Nós dois, noivos de Chagall
Voando mesmo sem asas.

Vencemos fogos em palha,
Ou nos campos, nas cidades,
Mas sendo amor fornalha,
Ninguém apaga saudades.

NA MÓ DE BAIXO
Quando dormi ao relento
No cerco desta cidade,
Sonhei, era meu intento,
Restaurar a liberdade.

Por vingança, certamente,

Mandam em nós uns cretinos,
Que, num passado recente,
Andaram aos gambozinos.

Em mau pano bom remendo
Já nem sei se vale a pena
Pois ninguém obedecendo
Ao povo que mais ordena.

Maré-alta? não te escondas;
Com outros, à beira-mar,
Onde rebentam as ondas,
É que devemos lutar.

Vê o rosto da tristeza,
A miséria envergonhada,
Enquanto servem à mesa
Turistas numa esplanada.

Gosto de cantar cantando
A minha própria canção
E nunca, sujeito ao mando,
Com outros, num orfeão.

Sem nós, os rebocadores,

Barcos pequenos, banais,
Nenhum daqueles maiores
Podia sair do cais.
CERIMÓNIA DE ENTREGA DO GRANDE PRÉMIO DE ENSAIO EDUARDO PRADO COELHO
ACADEMIA DAS CIÊNCIAS DE LISBOA | 27 DE NOVEMBRO | 18H00
O Grande Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho, com o valor de 7.500 euros para ao autor distinguido, instituído pela Associação Portuguesa de Escritores com o  patrocínio da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, destina-se a galardoar anualmente uma obra de ensaio literário, em português e de autor português, publicada em livro, em primeira edição, no ano anterior à da sua entrega.

Nesta edição, o júri foi constituído por Artur Anselmo, Clara Rocha e Isabel Cristina Rodrigues.

Este galardão, premiou desde de 2010, os escritores Victor Aguiar e Silva, Manuel Gusmão, João Barrento, Rosa Maria Martelo, José Gil, Manuel Frias Martins, José Carlos Seabra Pereira e Isabel Cristina Rodrigues.
Helder Macedo é professor catedrático jubilado (Emeritus Professor of Portuguese) da Universidade de Londres, King's College, onde foi titular da Cátedra Camões (Camoens Professor of Portuguese) até 2004. A sua vasta obra ensaística inclui estudos fundamentais sobre figuras cimeiras da nossa literatura, como Bernardim Ribeiro, Luís de Camões e Cesário Verde. Paralelamente, a sua obra de ficção e de poesia inclui, entre outros, os romances Partes de África (1991), Pedro e Paula (1998) e Tão Longo Amor Tão Curta A Vida (2013), a colectânea Poemas Novos e Velhos (2011) e o recente Romance (2015), um longo poema narrativo que veio quebrar fronteiras literárias e comprovar uma capacidade de inovação renovada em cada obra.
Fonte:  https://www.presenca.pt/
Fotos Fernando Bento
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